quinta-feira, 19 de novembro de 2009

categorias

Cóf-cóf! Calma, este é um post de bastidores. Por enquanto, fica sabido que o blog tá voltando. A dona dele tá voltando. Mas vocês sabem, a gente não fica tanto tempo longe e volta do nada sem dar satisfação, sem fazer festinha, promoção, dar algum brinde ou armar um fusuê. Estou sabendo. Por isso mesmo resolvi que, já que vou desenpoeirar esse cantinho soturno e voltar positiva e operante, é melhor que eu use a oportunidade pra dar um upgrade por aqui. Como eu ainda não acabei de ler meu "html for dummies", as novidades vão se restringir às minhas habilidades tecnológicas. Começaremos com "catigurias". Acho que fica mais organizado pra todo mundo. Não faz beicinho, que eu vou apresentar essas tais categorias aos poucos, uma por uma. Volta mais tarde, vai. Daqui a pouquinho estamos de volta. Peraí.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

a mais presente

Ana Linda!
Ana Manga...
Ana branca...
Ana lua...
Ana branca...
Ana vermelha...
Ana branca...
Ana outubro...
Ana branca...
Ana soturna...
Ana branca...
Ana dionisíaca...
Ana branca...
Ana ex-médica...
Ana branca...
Ana paciente...
Ana branca...
Ana escriba...
Ana branca...
Ana cantante...
Ana branca...
Ana itinerante...
Ana branca...
Ana saxônica...
Ana branca...
Ana silente...
Ana branca...
Ana excelente...
Ana branca...
Ana que não é anã...
Ana que cura o que não é sã
Ana que verte o que coagula...
Ana que refestela sem gula...
Ana que desengasga a mudez que estrangula...
Ana que agiganta que “age -gente”
Que cala e fala...
Que anda e ala...
Que arde, argúi e “ardúa”...
Que multicolore o branco... não só de raiva...
Mas com a ternura das palavras indigitadas... sentidas... e existentes
E de fascículo e capítulo... põe banca...
E declaro mais uma vez: eu leio.
Da Tia Leitorinha forever

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

vem na bubuia que depois eu te explico...

domingo, 20 de setembro de 2009

deu branco

é branca a cor do tempo em que não se escreve.
e sobre esse branco tece-se um silêncio reflexivo...
de onde vêm as cores que pintam as palavras?
de que emoções se abastece uma caneta?

...

no entanto, certa hora, do branco, certa manhã,
brotam veias de pautas vermelhas,
e o outono que se aproxima com jeito de festa
decide deitar-se amarelo em verso e estrofe,
a própria manhã azul quer ser cantada,
e toda palpitação que vai ritmando os dias
vai pedindo da gente o alívio das rimas.

...

daí que a vida se divide em duas estações:
a vida que se vive e canta;
a vida que se vive e cala.

...

apesar de branco o silêncio das coisas,
queima e arde como lenha.
mas é tanta vida que esse fogo vaza,
que o que era grafite vira carvão,
sombreando de ficção a vida de viver...

e o violão preto e mudo no sofá.

...

esperança pra mim é esperar sabendo
que as cores e as palavras sempre voltam
cachoeiras involuntárias de poesia
desentalando o livro da vida que se calou.

...

os anos passam revezando as cores
e cada vez que o silêncio
finalmente se despede do papel
eu murmuro um mesmo palpite:

- é uma espécie de raiva o que move a escrita.

sábado, 8 de agosto de 2009

o que vale mais

Valeu a pena insistir em visitar o blog todo dia até q vc voltasse a escrever.

PQP!...desde q eu nasci esperei alguma coisa boa de fato pra ler e acho q achei nesse texto. Na verdade, me tomou tempo ler porque o choro embaçou a vista.

Tomei a liberdadzzze de usar a trilha sonora do post logo abaixo, do José González (piadinha de irmão: oração explicativa e não restritiva), e digo que fui longe demais. Tinha muito tempo que isso não acontecia. Arrepiei só do lado esquerdo - o que, na verdade, é estranho comentar.

Mas o perfeito de tudo é que eu vi isso tudo acontecer com o olhar de terceira pessoa. E eu consegui, pela primeira vez, o olhar da primeira.

Ainda tem a parte da forma da escrita que é muito doida.

Whatever...just getting out of my mind now. Long trip, crooked way.....nirvana

Te amo

Pedro.

E a todos um fim de semana tão colorido e doce quanto amor de irmão!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

rascunho de um sambinha chorado

o contrário de amor é medo
veja, o forte ama sem freio
tu ama quem te ama primeiro
vai pra chuva e quer sair sêco.
amor, querer não se fraciona
é que contabilizaste errado
quis pra ti o coração inteiro
deixou as esquinas com saudade
jogou fora uma metade inteira
maior que seus inteiros vazios
e agora, que pena, ficou tarde
estou levando minhas metades
te deixo esse amor que não arde
volto a me espalhar pela calçada
foi você que não entendeu nada
valeria bem mais a cumplicidade
o que eu te dei foi teu de verdade
agora vão nos faltar nossas tardes
vais ver que amor não se mede
que quem ama sem medo não pede
e esse teu coração de contador
vai é nos matar de vontade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

carta pra mim *

Belo Horizonte, 03 de agosto de 1998.

Ana Paula Querida,

Agora dói, e eu sei bem que a dor deixa a vista turva. Agora não há um canto na casa que lhe seja familiar, não há uma esquina dessa cidade que te pertença, não há uma peça no seu guarda-roupa que de fato te sirva. Você pressente que o que você é pode ser essa chaminha perdida em algum canto da sua cabeça ou talvez no peito, mas essa moça do espelho lhe é tão estranha que é melhor evitar. E eu então posso lhe dizer uma das mensagens que essa carta que eu escrevo vem lhe soprar no ouvido de dentro: todo agora passa. Esse hoje que dói num piscar de olhos vira ontem, e logo-logo é o brilho efêmero da felicidade que você vai tentar capturar nos seus olhos, com medo de que ele também passe. E ele também passa. Tudo passa. Até as marcas de espinha vão passar. Essa paixão que hoje te consome as tardes e a auto-estima, dessa você nem vai se lembrar. Vai incluir na gaveta das histórias inventadas. Paixões inventadas dóem de verdade, mas você vai descobrir os cheiros, os sabores e as texturas das paixões inevitáveis. E reais. Daí você vai aprender a guardar as paixões inventadas pras letras de música, pros posts do blog ou, no máximo, pras curtas tardes ociosas. Tudo o que você aprende agora lhe vai ser útil vida afora, e você vai viver um longo período usufruindo de habilidades conquistadas despretenciosamente, nessas madrugadas que você passa acordada sonhando. Sonhe e aprenda. Tudo que você hoje deseja forte enquanto imagina os detalhes vai lhe surgir na palma da mão quando você menos esperar, e você vai sorrir sozinha, sem ter com quem comentar, desconfiada de que são os sonhos que moldam o mundo. E eu acho mesmo que são.

(pra ler o texto na íntegra, clique aqui)

* texto inspirado em texto de Patrícia Antoniete, daqui)

da série trilha sonora

a vida pode não ser um filme
mas eu sou roteirista da minha
e não descuido dos diálogos,
do figurino,
dos cenários,
nem da trilha sonora:

o aniversário do violinista

Ainda tem muita gente que não se extasia com a riqueza do não-dito. Que duvida de um outro tempo que desafia esse dos números. Mas tem esses estranhos – ufa – que seguem se encantando por metáforas de duplo sentido e por coisas novas que cheiram a antigo. Que curtem combinações inusitadas, tipo vintage com high-tech; violino e eletrônico; poesia, rap e guardanapo; o que é instantâneo e simultaneamente dura pra sempre. Acho que vem daí eu gostar de você tão gratuitamente como se gosta de uma música. Esse jeito de quem nasceu pra enfeitar os cantinhos do mundo, pra ser lido nos seus silêncios e nos seus sons, um novo velho, com uma “fundeza” de olhar de pequeno buda com uma pureza de menininho =), uma calma alegre, um talento servido com humildade pra quem quiser. Como se cantar, no sentido amplo, fosse a única forma verdadeira de entender qualquer coisa. Eu bem sei...

Vai ver é esse jeito de encantador de serpente que te dá um arzinho de fábula. E se eu agora te dou minhas entrelinhas, não é por achá-las em si um presente. Mas é pra tentar retribuir na mesma moeda pelos seus textos – feitos de som ou de silêncio – que você artista de rua lança no vento. E eu, amante de belezinhas, sempre contemplo sorrindo.

É um prazer cruzar caminho com você.

primeiras horas

rego a poesia do dia com um verso em web message
“se a gte num mata a saudade eh ela q mata a gte :o)”
é preciso separar nas primeiras horas do café
o que se inventa pra viver e o que se vive pra inventar,
o que se tem com as mãos e o que se tem em palavra,
o que eu beijo e o que eu possuo numa música,
o que eu escrevo e engaveto e o que eu posto online
o resto eu misturo com a colher de chá.

sunrise, sunrise

domingo, 8 de março de 2009

a terra prometida - diário de bordo

* - Welcome, baby. We're in Brazil.

* O Rio de Janeiro continua lindo. Tá. Água de coco em Copacabana, pezinhos na água do mar, muito filtro solar no corpo todo e essa coisa toda. Mas não é pra mim. Eu que sou-do-mundo-sou-minas-gerais não sei mochilar por acá, especialmente com um estrangeiro que aqui parece um chamariz. Tá, tudo bem que pegar um ônibus pra Lapa pode ter sido uma idéia suicida. Acho que eu não sei mais brincar. O ônibus foi invadido pela porta de trás, e eu fiquei 20 minutos com dor de barriga, monitorando a cara de pavor do meu namorado, sem traduzir o que "pega um pega geral" significa. A subida da ladeira da Lapa no bondinho do Santa Tereza foi surreal até pra mim. Pra começar porque o ponto era num pico que o Paul descreveu como "that Tropa de Elite station" (claro que eu morri de rir). Depois porque o bonde tava lotado e tinha uns moleques pendurados e a gente decidiu esperar o próximo. Nesse ponto, o bondinho parou e todo mundo ficou chamando a gente pra andar rápido, que eles estavam esperando. Sem reação, a gente se pendurou naquele vagão maluco, que corria os trilhos com todo jeito de que ia cair aos pedaços a qualquer momento, e a gente se encolhia pra desviar dos postes e dos fusquinhas estacionados na calçada. O Paul ria que nem menino na roda gigante, enquanto eu convocava mentalmente todos os santos que eu conhecia. Mas verdade seja dita, foi uma experiência mastercard, bem mais genuína e incrível que subir o pão de açúcar. Ainda assim, depois de convencer um maluco a não assaltar a gente pertinho do hotel, decidimos zarpar mais cedo. Vamos embora pra Angra, que eu me esqueci de todas as táticas de guerra. Enferrujou. E faz longos meses que a gente sonha com areia, mar, sol e água de coco...

* Pros amores de BH: a gente chega aí na quinta ou sexta, no mais tardar. Deixa o pão de queijo no forno.

* Caras, indescritível o gosto de um mamão papaia maduro first thing in the morning, depois de quase dois anos. Oh, e pastel e coxinha e churrasquinho e camarão frito e açaí e... se o Paul aparecer de boca cheia em todas as fotos, já sabem porquê.

* O fuso horário pela primeira vez está trabalhando a meu favor, de modo que hoje acordamos naturalmente às 6h30 da manhã e tomamos café sozinhos no hotel, assistindo Globo Rural. Me deu uma sensação dejavu deliciosa, com gostinho das manhãs de domingo na casa da vó, essa sensação que eu amo - mas quase nunca sinto - de que você chegou mais cedo pro dia.

*

Poder dormir
Poder morar
Poder sair
Poder chegar
Poder viver
Bem devagar
E depois de partir poder voltar
E dizer: este aqui é o meu lugar
E poder assistir ao entardecer
E saber que vai ver o sol raiar
E ter amor e dar amor
E receber amor até não poder mais
E sem querer nenhum poder
Poder viver feliz pra se morrer em paz.

(Vinícius e Toquinho)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

bom domingo...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

quickies

Incorporei-me de um espírito postador, e ando com vontade de postar longamente sobre todos os assuntos, desde o Obama ter mandado quase 20 mil soldados pro Afeganistão, onde agora neste momento eu tenho alguns amigos caríssimos visitando suas famílias, passando pela vergonha que foi/está sendo o caso da brasileira esquisofrênica na Suíça, além de mais um texto que eu escreveria sobre crises econômicas, e como é diferente viver uma crise pontual aqui em oposição a viver uma crise constante aí na nossa terra, terminando com um post-receita de um creme de espinafre que eu fiz ontem que - já que toda modéstia é falsa - ficou bom demais. Mas há fortes chances de toda essa inspiração ser na verdade um mecanismo sacado de fuga, já que encontro-me finalizando mais um capítulo (calma, não comemorem ainda) e escrevendo um daqueles burocráticos e longos relatórios anuais pro pessoal que financia meu trabalhinho. Por via das dúvidas, deixemos longos posts pra depois do carnaval, já que, como eu bem sei, vocês aí a essa altura não têm olhos nem ouvidos pra nada que não batuque nem tenha teor alcóolico. Amanhã, enquanto por aqui nos afogamos em parágrafos por reestruturar, vocês caem na folia, seus crápulas. Tudo bem, deixe estar, jacaré. Como diria a raposa ao príncipe, essas uvas altas que não alcanço são mesmo verdes, e eu nem queria. Humpf.

*

Aqui na Irlanda, a IBM está tirando o time de campo (15 mil demitidos) e indo pra Singapura, onde têm melhores condições de explorar a mão de obra. A Ericson também decidiu picar a mula. Vários outros headquarters estão ralando peito. O governo irlandês, desfalcado e sem a ajuda da UE que andou recebendo durante 10 anos - o que promoveu esse país de ruivos discriminados a primeiro-mundistas -, teve que comprar um quinto dos bancos daqui, pra que não quebrasse de vez. Maluco aqui, quando vai sair do emprego, vende a vaga. E sobre essa crise, ó que crise, o que vai ser de nós com essa crise, eu fico pensando que uns certos alemães, lá dos seus túmulos, uma hora dessas devem estar grunhindo: "não disse? não disse? não disse???"

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado”

(Marx, O Capital, 1867)


*

Se eu repetir que varrer a casa relaxa, a ala feminina por obséquio preste queixa na Delegacia de Mulheres. Basta.

*

Mas voltando ao mico internacional da brasileira doida na Suíça, eu tenho muito mais vergonha dos jornalistas, nesse caso, do que da maluca. Eu sei que o salário é insultante, não dá tempo nem de fazer xixi na redação, quanto mais de apurar, investigar, priorizar pra depois informar. Tô sabendo. O editor pede manchetes bombásticas, a galera começa o processo de edição do mundo de forma melodramática, melhor estilo tablóide - tão popular por essas bandas - e dá nisso. É por essas e outras que eu, quando saí da faculdade de Comunicação e Artes com meu diploma debaixo do braço, decidi colocar na gaveta a "comunicação" e ficar com as artes. Ao menos em literatura mentir ou dizer a verdade são diferentes mecanismos de ficção, e a edição do mundo se dá de forma subjetiva, despretenciosa e esteticamente agradável.

*

Ah, e não me vá se entusiasmar e esquecer a camisinha, né? Livre arbítrio está aí pra ser exercido. Tem dó.

a coisa aqui tá preta

>>Daqui<<